quinta-feira, 12 de abril de 2012

Em um hospital

36 anos na UTI
Eliana Zagui, 38, está internada no HC desde os dois anos, quando teve paralisia infantil; ela lança hoje seu livro de memórias, escrito com a boca

Marisa Cauduro/Folhapress
Ainda internada no HC, Eliana Zagui, 38, lança seu primeiro livro, escrito com a boca
Ainda internada no HC, Eliana Zagui, 38, lança seu primeiro livro, escrito com a boca
CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO
Faz 36 anos que Eliana Zagui vive deitada num leito de UTI do Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas de São Paulo. Vítima de paralisia infantil aos dois anos, ela perdeu os movimentos do pescoço para baixo. Respira com ajuda de equipamentos.
Na cama, a menina se formou no ensino médio, aprendeu inglês, italiano, fez curso de história da arte e tornou-se pintora. Tudo isso usando a boca para escrever, pintar e digitar. Hoje, lança (só para convidados) seu primeiro livro: "Pulmão de Aço - uma vida no maior hospital do Brasil" (Belaletra Editora).
Pulmão de aço é o nome de uma máquina, inventada na década de 1920, parecida com um forno. As pessoas com insuficiência respiratória eram colocadas dentro dela, com a cabeça de fora.
Eliana ficou cinco dias lá dentro, mas não funcionou. A pólio havia paralisado completamente o diafragma e a deglutição. Ela teve, então, que ser conectada para sempre a um respirador artificial. Só consegue ficar poucas horas longe do aparelho.
Entre 1955 e o final da década de 70, 5.789 crianças vítimas da pólio foram internadas no HC. Sete delas, atingidas com mais severidade, ficavam lado a lado na UTI. "Nós nos apegávamos um ao outro, como numa grande família. Era a única maneira de suportar aquilo tudo", lembra Eliana.
Da turminha, só sobreviveram ela e Paulo Machado, 43, que divide o quarto com a amiga e cuja história de vida também aparece no livro. "A Eliana é minha irmã, a minha família. Tem temperamento forte. Quando vejo que ela está brava, coloco os fones de ouvido e fico na minha", diz.
Eles poderiam viver com suas famílias, com o apoio do hospital. Mas nunca houve interesse por parte delas. Os parentes raramente os visitam. "Não me magoo mais. Já sofri muito e hoje aprendi que cada um é cada um."
Eliana e Paulo passam a maior parte do tempo na internet. Ela gosta de sites de relacionamentos, de pintura e artesanato. Paulo é aficionado por cinema. Está envolvido na produção de uma animação cuja protagonista é Teca, o apelido carinhoso pelo qual chama Eliana. E, para ela, o amigo é o Teco.
Quando é necessário, ele faz as vezes de irmão mais velho. "Dias atrás, eu me irritei no Face [Facebook] e postei uma mensagem malcriada. O Paulo viu e me chamou a atenção", conta Eliana, que chegou a ter 3.000 amigos virtuais. "Fiz uma limpa no final do ano e só deixei uns cem. Agora tenho uns 300, mas preciso limpar de novo."
A saudade dos amigos reais, os quais viu morrer um a um, é o que mais a entristece. "Foram momentos tão bons. Mas não voltam mais."
No livro, ela relata que flertou com o suicídio. "Avaliava as possibilidades: arrancar a cânula da traqueia com a boca, cortar ou furar o pescoço." E encerra com humor. "Descobrimos que até para morrer antes da hora precisamos da ajuda de alguém."
Eliana diz que, volta e meia, essas ideias ainda a visitam, mas que hoje tenta aliviar suas angústias nas sessões semanais de análise.
Pergunto se sonha em viver na casa dos pais. "Não. Eu iria estagnar", responde convicta. Mas, sim, ela sonha em morar fora do hospital.
Em dezembro último, pela primeira vez em 36 anos, passou o Natal fora do HC, na casa de amigos. Foi de maca e com respirador artificial portátil. "Foi uma experiência ótima, indescritível."
Quanto ao livro, Eliana diz esperar que ele ajude "aqueles que não querem nada com a vida". "É claro que cada um tem as suas dores. A minha desgraça não é maior que a sua nem a sua é maior que a minha. Mas é sempre bom poder aprender a tirar o que vale a pena da vida."
PULMÃO DE AÇO
AUTORA Eliana Zagui
PREÇO R$ 36
PÁGINAS 240
EDITORA Belaletra

quinta-feira, 15 de março de 2012

Fim da greve

Geral

Quarta-feira, 14 de março de 2012 - 18:11

Após três semanas

SINTERO CONFIRMA FIM NA GREVE DA EDUCAÇÃO; Veja decisões de regionais

A assessoria de imprensa do Sintero anunciou que os trabalhadores na educação decidiram retornar ao trabalho a partir da próxima segunda-feira. De acordo com o sindicato, a maioria das regionais votou favorável ao acordo proposto pelo Governo, a partir do compromisso de aumento de R$ 100 mil para R$ 200 mil por mês para o pagamento da licença prêmio. A primeira parcela, que será paga em abril será maior, de R$ 800 mil em razão dos valores acumulados desde o início do ano. Até esta sexta-feira os servidores encampam mobilização nacional.

Pelo acordo, o Governo manteve o reajuste salarial de 6,5%, aumento de 40% nas gratificações dos servidores, readequação do salário de 860 professores nível I ao novo piso nacional de R$ 1.451,18 (aumento de 22,22%), com data retroativa a 1º de janeiro. Há ainda compromisso de encaminhar à Assembleia Legislativa o Plano de Carreira, Cargos e Remuneração (PCCR) até 30 de julho, nova redação à Lei 420, garantindo o reenquadramento dos professores de ensino básico e técnicos da educação, conforme a LDB e abrir nova rodada de negociação logo após a efetivação da transposição. Os dias parados não serão descontados.

VEJA COMO FOI A DECISÃO DAS REGIONAIS

REGIONAL NORTE – Em assembleia realizada na Praça do Palácio com a participação de mais de mil trabalhadores em educação, a categoria decidiu aceitar a proposta do governo e manter estado de mobilização até julho, último prazo para aprovação do Plano de Carreira. Ficou deliberado que a categoria não inicia o segundo semestre letivo de 2012 em agosto caso o Plano de Carreira não tenha sido aprovado com valorização digna e carreira com enquadramento de professores e técnicos. Embora tenha decidido suspender a greve, os trabalhadores em educação aprovaram a participação na greve nacional convocada pela CNTE e só voltar ao trabalho na segunda-feira, garantindo o abono das faltas e o recebimento do salário de março integral.

REGIONAL MAMORÉ – Os trabalhadores em educação, reunidos em assembleia em Guajrá-Mirim, decidiram aceitar a proposta do governo, suspender a greve até julho e acompanhar a elaboração do Plano de Carreira.

REGIONAL ESTANHO – Em assembleia realizada hoje em Ariquemes, os trabalhadores em educação da Regional Estanho decidiram aceitar a proposta do governo e suspender a greve, retornando ao trabalho a partir de segunda-feira. A categoria decidiu reunir trabalhadores em educação de todos os Municípios que compõem a Regional em um grande ato público na cidade de Ariquemes nesta quinta-feira pela manhã.
REGIONAL CENTRO I – Em assembleia realizada na cidade de Jaru os trabalhadores em educação rejeitaram a proposta do governo e decidiram manter a greve.

REGIONAL CENTRO II – Em assembleia realizada na cidade de Ouro Preto D’Oeste os trabalhadores em educação decidiram rejeitar a proposta do governo e manter a greve.

REGIONAL RIO MACHADO – Em assembleia realizada na cidade de Ji-Paraná os trabalhadores em educação decidiram manter a greve até sexta-feira, acompanhando a greve nacional convocada pela CNTE. A categoria decidiu que aceita a proposta do governo, menos o prazo até julho para a aprovação do Plano de Carreira. Para tentar reduzir esse prazo, a categoria aprovou a elaboração de um abaixo-assinado a ser encaminhado ao governo. Ficou deliberado o retorno ao trabalho a partir de segunda-feira.

REGIONAL GUAPORÉ - Em assembleia realizada em Presidente Médici, a categoria decidiu aceitar a proposta do governo e manter estado de mobilização até julho, último prazo para aprovação do Plano de Carreira. Ficou deliberado que a categoria não inicia o segundo semestre letivo de 2012 em agosto caso o Plano de Carreira não tenha sido aprovado com valorização digna e carreira com enquadramento de professores e técnicos. Embora tenha decidido suspender a greve, os trabalhadores em educação aprovaram a participação na greve nacional convocada pela CNTE e só voltar ao trabalho na segunda-feira, garantindo o abono das faltas e o recebimento do salário de março integral.

REGIONAL CAFÉ - Em assembleia realizada na cidade de Cacoal os trabalhadores em educação decidiram rejeitar a proposta do governo e manter a greve.

REGIONAL APIDIÁ - Os trabalhadores em educação, reunidos em assembleia em Pimenta Bueno, decidiram aceitar a proposta do governo, suspender a greve até julho e acompanhar a elaboração do Plano de Carreira. A categoria, porém, decidiu aderir à greve nacional da CNTE até sexta-feira e fazer manifestações em Pimenta Bueno.

REGIONAL MATA – Em assembleia realizada em Rolim de Moura os trabalhadores em educação rejeitaram a proposta e decidiram manter a greve.

REGIONAL CONE SUL – Em assembleias realizadas nos municípios de Colorado D’Oeste, Cerejeiras, Corumbiara, Chupinguaia e Pimenteiras os trabalhadores em educação decidiram aceitar a proposta do governo e suspender a greve. Em Vilhena a categoria ficou dividida, mas por uma pequena diferença a maioria decidiu rejeitar a proposta e manter a greve. Ficou marcada uma nova assembleia para sexta-feira. Considerando que apenas um município da Regional decidiu manter a greve, será avaliado que a maioria da Regional decidiu suspender a greve.

Greve

REGIONAL CENTRO I – Em assembleia realizada na cidade de Jaru os trabalhadores em educação rejeitaram a proposta do governo e decidiram manter a greve.

REGIONAL CENTRO II – Em assembleia realizada na cidade de Ouro Preto D’Oeste os trabalhadores em educação decidiram rejeitar a proposta do governo e manter a greve.

REGIONAL CAFÉ - Em assembleia realizada na cidade de Cacoal os trabalhadores em e...ducação decidiram rejeitar a proposta do governo e manter a greve.

REGIONAL MATA – Em assembleia realizada em Rolim de Moura os trabalhadores em educação rejeitaram a proposta e decidiram manter a greve.

Vilhena e Buritis,Parabéns a esses guerreiros que não a baixão a cabeça para Governo que não valoriza a Educação.

terça-feira, 13 de março de 2012

Proposta

Governo faz nova proposta e pede o fim da greve. Sintero convoca trabalhadores em educação para avaliar a proposta em assembleia PDF Imprimir E-mail
Seg, 12 de Março de 2012 20:51
ReuniaoPalacio
Em mais uma rodada de negociação, ocorrida na tarde desta segunda-feira, dia 12/03, o governo do Estado apresentou ao comando de greve mais uma proposta.
A reunião, que aconteceu no Palácio do governo e durou mais de três horas, teve a participação do presidente do Sintero, Manoel Rodrigues, do secretário de Assuntos Jurídicos do Sintero, Nereu Klosinski, do advogado do Sintero, Hélio Vieira, e de um representante de cada Regional.
Pelo governo participaram os secretários Juscelino Moraes do Amaral (Chefe da Casa Civil), Júlio Olivar (Educação), George Braga (Planejamento), Benedito Antônio Alves (Sefin), Rui Vieira (Sead) e Mário Jorge (Assessor Especial), além do próprio governador Confúcio Moura.
Depois de um intenso debate entre os diretores do Sintero e os representantes das Regionais com os secretários e o governador, foi apresentada pelo governo uma proposta. O governador Confúcio Moura disse que o governo cedeu, e que o conteúdo da proposta é o máximo que se pode oferecer no nomento, mas que o diálogo deve continuar e novas negociações devem ser feitas.
VEJA A PROPOSTA:
PropostaGov1
PropostaGov2

A Escolinha do Professor Olivar

A Escolinha


Em momentos de crise na educação, quando se acumulam perdas salariais exorbitantes, o servidor espera do gestor imediata negociação. A greve não agrada a sociedade e incomoda mais ainda o educador, obrigado no futuro a abrir mão dos dias de descanso para repor as aulas perdidas.

Nesse sentido, nada mais desagradável que ler, antes de qualquer intenção de ajuste dos ponteiros, ilações de um secretário que se utiliza de números irreais e discursos de celeridade para embasar impossibilidade de honrar compromissos firmados no passado.

Foi o que fez o escrevinhador Julio Olivar, titular da Secretaria de Estado da Educação. Mal terminava a assembléia dos trabalhadores e o membro da Academia de Letras de Vilhena já compunha artigo sobre as agruras nas escolas e falta de recursos para suprir necessidades na área de infraestrutura – “leia-se eficiência enérgica” (sic). Tratou o dono do cofre com maior recurso do Estado, de colocar a responsabilidade em administrações anteriores, como se o servidor não houvesse votado na aventada Nova Rondônia.

Breve pesquisa na corte de contas do Estado (TCE-RO) revelou que Julio Olivar discursou sem conhecimento de causa. O secretário informou que 80% do orçamento da pasta são para pagamento dos trabalhadores. O Tribunal de Contas diz que, entre folha e encargos sociais, a Seduc utiliza somente 62,23%. Outro número descabido é quanto aos recursos para investimentos. Olivar afirmou que existem apenas R$ 73 milhões, enquanto para o TCE, a Lei nº 2.676/2011 (Lei Orçamentária Anual – LOA), garantiu dotação orçamentária da Seduc – exercício 2012 – de R$ 920.243.676,00.

Calculemos: mesmo que a Seduc gastasse 80% do orçamento em pagamento de folha, ainda restariam R$ 184 milhões para o restante. E nem entremos em detalhes sobre os recursos federais oriundos do FNDE, programas exclusivos para a Educação e convênios firmados com municípios e União.

Pelo visto, caro leitor, há uma deficiência de professores de matemática nos quadros da Seduc.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Asfalto de Rondônia

IMAGEM AÉREA MOSTRA ÁREA GIGANTE QUE CEDEU NA BR-364

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Uma imagem área, que circulou pelas redes sociais na tarde deste domingo mostram a dimensão da enorme área que cedeu na BR-364, em frente ao Tênis Clube, em Porto Velho. A foto foi realizada por Cristian Gravatá e Darwin Zanata e detalha que não será nada fácil e rápida a reconstrução do local. Soldados do BEC irão montar uma ponte provisória no local, segundo informou a PRF, mas mesmo assim, a rodovia deve ser interditada por pelo menos uma manhã no decorrer da semana.